Para onde ir...
Numa antiga história do folclore árabe, dois viajantes indo de uma cidade a outra, deparam-se numa encruzilhada, com o poste indicativo de setas caído ao solo. Um deles desespera-se: “Estamos perdidos. Para onde iremos agora?” A que o outro calmamente responde: “Não amigo, não estamos.” E levantando o poste, fixa-o na direção de onde ambos haviam partido ao alvorecer. Com este gesto, todas as outras indicações apontam para localizações geográficas precisas. Então, estendendo a mão ao seu companheiro de jornada lhe diz: “Veja irmão; para saber onde você está indo, precisa saber sempre de onde veio!”
É nesse sentido que devemos refletir porque às vezes nós mesmos perdemos o sentido. Porque em determinadas situações parecemos tão desorientados, sem rumo e ainda que o sol esteja brilhando ao nosso redor, não consegue aquecer nossos corações. Somos eternos viajantes e durante nossa jornada, seja ela de que tamanho ou distância for, somos responsáveis por todas as nossas ações, nossas atitudes e suas conseqüências, nossas escolhas e realizações dentro da comunidade a qual fizemos parte. Ou na pior das hipóteses nosso marasmo, nossas indecisões, nossa apatia, se fecharmos os olhos...
Alexandre Graham Bell (1847-1922), inventor e cientista de origem escocesa, afirmou em certa oportunidade “Não andes pelos caminhos traçados, pois ele conduz somente onde outros já foram”. E o que isso significa? Que devemos arriscar, que devemos seguir por caminhos por vezes desconhecidos e desbravá-los. Reinventarmos-nos constantemente se assim for preciso. Questionarmo-nos o porquê das coisas e acontecimentos e buscarmos as soluções para os problemas quando eles se apresentam. Entretanto naqueles momentos em que nos encontramos numa encruzilhada é preciso também a reflexão. E eis que surge a milenar história do folclore árabe a nos sugerir: “(...) para saber onde você está indo é preciso saber sempre de onde veio!”
Passado, presente e futuro estão interligados e o homem que se vê diante do espelho hoje, é a construção e a soma de todas as experiências vividas até então. E você deve estar se perguntando: Porque existem dias que não consigo sair de onde estou? Não consigo reagir? As ideias estão confusas? O pensamento não me induz as respostas que realmente necessito? As pessoas não me compreendem? Me sinto tão angustiado? Nem eu consigo me entender direito? Para onde devo ir?
Você deve seguir em frente, sempre, firme em seus propósitos, seus objetivos, suas ações. Não vacilar, não duvidar de si mesmo, de sua própria capacidade de criar, consertar, modificar, construir. Pense no que te trouxe até aqui, nos caminhos já traçados e nos que ainda irá percorrer. E tenha certeza de que por maiores que seja as dificuldades: “Um homem bom nunca estará sozinho em sua jornada aqui na Terra!”
Por Régis Mubarak











