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Ensinar a pescar
Num país como o Brasil, marcado por situações de injustiças e má distribuição de renda, a solução é ensinar a pescar e não dar o peixe. Em outras palavras, isto significa ajudar o brasileiro a encontrar soluções para melhorar sua renda pessoal através do emprego e da produção.
Os programas de transferência de renda, entre eles o Bolsa Família e as aposentadorias, significam vinte por cento do total da renda das famílias brasileiras. Em 40 anos, este percentual subiu de 8,3 por cento em 1978 para 58,3 por cento em 2008. É engano imaginar que transferir rendas é sustentar vagabundos. Muito pior é não punir corruptos e malversadores de recursos públicos que circulam nas esferas dos governos há alguns anos.
Todas as pesquisas comprovam que os mais pobres, quando conseguem obter melhorias de rendas, seja pela produção ou pelo trabalho, investem na qualidade de vida como saúde, educação e moradia. Na verdade, o Brasil é um país de imensas riquezas, mas também de muitas injustiças.
É a própria ONU quem aponta o Brasil como um dos piores países do mundo em desigualdade social. Ocupa também um dos piores lugares na distância entre ricos e pobres. E o que aproxima ou distancia os mais ricos dos mais pobres é a distribuição da renda. São milhões de brasileiros que ainda estão distantes de uma renda mais ou menos digna. São mulheres, negros e indígenas. Para se ter uma idéia do que isto significa, afirma o Frei Betto, basta imaginar que entre os brancos são 5,1 por cento os que vivem com apenas um dólar por dia, enquanto que entre índios e negros o percentual dobra, ou seja, sobe para mais de 10 por cento.
Para a ONU, as causas da disparidade social se devem à falta de acesso à educação, à política fiscal justa, baixos salários e dificuldades de dispor de serviços básicos como saúde e saneamento. É triste se ver cenas de televisão onde riachos sujos e imundos circulam por entre os casebres humildes e pobres. Daí surgem os que vão se colocar nas filas dos hospitais em busca de remédios. Na verdade, o melhor remédio seria acabar com a imundície das periferias urbanas.
O Brasil vive um momento de euforia com os novos governantes. Para encaminhar soluções para os inúmeros problemas que estes governantes têm pela frente não basta manter ou ampliar o Bolsa Família, mas investir de forma séria em educação, emprego, trabalho e produção.
Há outros programas que podem ser implementados, entre eles saneamento básico, reforma agrária e melhoria nos sistemas de renda da Previdência Social. Embora nada disso seja realidade que acontece de um dia para o outro.
por João Carlos Romanini (Rádio São Francisco), dia 05/04/2011 às 08:11
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